quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Relação Médico-Paciente: para além do consultório

Há uma frase que diz: "É parte da cura o desejo de ser curado". Despertar esse desejo no paciente também é papel do médico e deve ser realizado através de uma relação de cumplicidade e troca, na qual ambos se doam na busca de algo em comum. A relação médico-paciente, quando bem estabelecida, é parte fundamental no processo da cura. Quando isso não ocorre, porém, os prejuízos se apresentam para ambos, contribuindo para maior desgaste e empobrecimento nas relações humanas.

A construção de uma boa relação médico-paciente não diz respeito apenas ao que ocorre dentro do consultório. É mais do que isso. É um processo que envolve toda uma equipe e o trabalho em conjunto. O atendimento médico tem grande parcela, uma vez que o diálogo maior ocorre entre os dois personagens, porém, toda a trajetória que o paciente percorre até chegar ao " cara-a-cara" com o médico influencia na maneira como o diálogo se dará. Logo, se faz importante destacar, a importância para estratégias de acolhimento e atendimento humanizado, não só no setor público, mas também na rede privada.

Acolher bem um paciente não se resume a um "bom dia" ou "o que houve?". A construção de um espaço digno, receptivo e não hostil também faz parte desse processo de acolhida. Além disso, o estado de humor também é importante. Não se quer aqui dizer que todos devam estar de bom humor, mas sim tratar com respeito o sofrimento daquele que busca o serviço de saúde. Esse acolhimento diferenciado faz parte de um atendimento humanizado, no qual o paciente não é um mero cliente que usará o serviço, mas um ser humano que, momentaneamente, é portador de uma desordem que necessita de uma atenção médica mais próxima.

No SUS há a experiência do HumanizaSUS. Lançada em 2003, a Política Nacional de Humanização (PNH) busca colocar em prática os princípios do SUS no cotidiano dos serviços de saúde, produzindo mudanças nos modos de gerir e cuidar. A PNH estimula a comunicação entre gestores, trabalhadores e usuários para construir processos coletivos de enfrentamento de relações de poder, trabalho e afeto que muitas vezes produzem atitudes e práticas desumanizadoras que inibem a autonomia e a corresponsabilidade dos profissionais de saúde em seu trabalho e dos usuários no cuidado de si. Humanizar se traduz, então, como inclusão das diferenças nos processos de gestão e de cuidado. Tais mudanças são construídas não por uma pessoa ou grupo isolado, mas de forma coletiva e compartilhada. Incluir para estimular a produção de novos modos de cuidar e novas formas de organizar o trabalho.

Ao adentrar no consultório, após um acolhimento humanizado, o paciente está mais disposto a participar do processo de cura. Cabe ao médico continuar esse processo. Simples atitudes como uma escuta ativa, franca, um olhar, um toque, interesse em ajudar são capazes de cativar o paciente, que se sente único, ouvido, atendido, de fato, em suas necessidades. A abertura de um espaço livre de comunicação pelo médico e a quebra daquele ambiente onde apenas um fala também contribuem. Engana-se que acha que unidades de pronto atendimento ou emergências não são espaços possíveis para a construção de uma boa relação médico/paciente. Não está no tempo que se dá ao paciente a pedra fundamental para essa boa relação, mas sim no olhar que se lança a ele e nas atitudes que se tomam na frente dele.

Para isso é preciso estar disposto a superar barreiras e se abrir na busca pelo outro, sabendo que o processo é constante e que cada novo indivíduo requer uma maneira singular de ser atendido. Cabe ressaltar, ainda, a importância de um trabalho coordenado e em equipe, para que cada ponto do atendimento, desde a entrada na unidade até o momento da saída seja peça importante para a cura do paciente.

Para mais informações:
http://portal.saude.gov.br/portal/saude/cidadao/area.cfm?id_area=1342

E para avaliar a atenção recebida pelo seu médico, acesse: http://impaciente.org/

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