quinta-feira, 14 de março de 2013

Cuidando das crianças

Criar os filhos é um dos maiores prazeres da vida, e também uma das maiores complicações. Criança não é uma criatura fácil. Uma hora são uma doçura, outra hora, umas travessas. Uma hora, obedecem, outra, fazem tudo ao contrário. Às vezes, dizem o que pensam "na lata", outras vezes, têm muita dificuldade em se expressar. Até as mães e os pais, que mais entendem dos próprios filhos, se sentem confusos de vez em quando, com tanta energia dentro de gente tão pequena.


A infância é uma fase especial da vida, na qual todas as potencialidades do ser humano estão em pleno desenvolvimento. Por isso mesmo, ela precisa ser especialmente cuidada, cercada de afeto, carinho e zelo. A alimentação nessa fase da vida passa por diversas mudanças. Como pode um ser tão delicado se desenvolver tanto à base de leite?

O leite materno é poderoso, e deve ser mantido com exclusividade até o 6º mês de vida. Depois, vão se introduzindo os outros alimentos aos poucos. Tudo com o cuidado necessário para nutrir a criança, sem provocar alergias e diarreias.

O sono também é fundamental. Crianças dormem naturalmente mais do que os adultos, e isso é fundamental para o desenvolvimento saudável das capacidades de raciocínio e movimento. Durante o sono, o cérebro funciona em plena atividade, organizando os pensamentos, produzindo sonhos e consolidando a memória do que foi aprendido. E quanto aprendizado acontece nessa fase! A brincadeira, a curiosidade, a descoberta e as amizades são os pilares para que a criança desenvolva suas capacidades de relação social, pensamento abstrato, pensamento concreto e afetividade.


O apoio da família é fundamental para um desenvolvimento saudável. A criança precisa de referências de adultos em quem se espelhar. Não importa a composição da família, importa sua estabilidade emocional, e sua capacidade em fornecer condições plenas para que a criança permaneça saudável. Quando por algum motivo, ela apresentar algum problema de saúde, é bom saber a quem recorrer.


O pediatra e o médico de família são os principais médicos responsáveis pelo cuidado da criança. Eles podem fazer aconselhamento nutricional, educacional, da higiene e dos hábitos, e também identificam, previnem e tratam doenças, podendo encaminhar para outros especialistas. Os nutricionistas, psicólogos, professores de educação física, fisioterapeutas e outros profissionais também são de muito auxílio na saúde da criança.

Seu filho já precisou de utilizar um serviço de saúde? Como foi o atendimento? Se quiser opinar, acesse http://impaciente.org/!

quarta-feira, 13 de março de 2013

A participação popular e a avaliação

A avaliação da qualidade na prestação de um determinado serviço é, sem dúvidas, ferramenta indispensável para a melhoria e evolução da oferta do mesmo. Tanto quem avalia quanto quem é avaliado precisam saber do quão saudável e importante é a prática dessa atividade. Além disso, precisam saber reconhecer quais são os papéis de cada um para que ambos os lados saibam colher os frutos dessa relação tão benéfica e salutar atualmente.

Quem se destina a oferecer um serviço deve, antes de tudo, reconhecer as reais necessidades e estar disponível a ouvir o seu público. Quem usufrui de tal serviço tem, por direito, a opção de avaliá-lo no intuito de torná-lo melhor. Quando esse diálogo se estabelece em uma via de mão dupla, ambos saem ganhando. Melhora-se o serviço e garante a satisfação do usuário.

Pois bem, tal lógica, que parece bem simples, anda um tanto que esquecida dentro do SUS. Pouco se ouve de quem utiliza os serviços do sistema de saúde. Além disso, tenta-se, de diversas formas, criar estratégias que impeçam a participação popular, sejam reuniões em horário de trabalho para boa parcela da população ou de madrugada. Há, ainda, várias tentativas de se desqualificar, tanto quem representa a população, quanto os seus argumentos e queixas. Já está provado que em lugares onde as pessoas são ouvidas, a qualidade do serviço é melhor. A intransigência é deixada de lado e uma relação horizontal é estabelecida.

As ideias de "tirar vantagem", enganar para lucrar ainda permeiam a mente de diversos prestadores de serviços, sejam eles públicos ou privados. Esse tipo de pensamento impede que o SUS venha a se tornar, de fato, o maior e melhor sistema de saúde. O caminho é claro e evidente. Basta se querer dar um basta. Ouvir para aprender. Ouvir para melhorar. Deixar a participação popular de fato se tornar ativa é o melhor jeito de se consertar o que está errado. É preciso incentivar a participação, desde as escolas até às associações de moradores. O diálogo aberto e franco é o caminho.

segunda-feira, 11 de março de 2013

A política da internação compulsória



Pouco tempo depois da prefeitura do Rio de Janeiro, agora é a vez do governo paulista adotar uma política de atenção aos dependentes de drogas baseada na internação compulsória. No caso de São Paulo, a chegada do crack se deu nos fins dos anos 1980. A partir de meados dos anos 1990, a região da Luz e adjacências, já degradada, foi progressivamente se tornando um espaço onde os consumidores se concentraram para encontrar crack e ter liberdade em usá-lo.

O crack não inventou as populações marginalizadas que moram no Centro como forma de sobrevivência, mas foi acolhido por muitos deles, principalmente por aqueles em situação de rua. Além disso, muitos consumidores de crack vieram das periferias, onde se sentiam ameaçados. Agrupados, trafegando numa vigília nervosa, com um gestual agressivo, a existência dos “craqueiros” tornou-se socialmente insuportável porque não se esconde, porque é visível.

O “problema do crack” parece ter se tornado um dividendo eleitoral de peso e motivado as esferas federais, estaduais e municipais a se movimentar – infelizmente, em busca de soluções rápidas que ignoram evidências e afrontam direitos. As ações recentes são, na verdade, focalizadas em grupos específicos de pessoas que ocupam regiões degradadas das cidades e fazem uso da forma fumada e barata de cocaína.

Só uma pequena parte dos consumidores de crack da cidade está no Centro, mas não nos enganemos sobre a intenção primeira de todas essas ações recentes, exemplificadas nos episódios de violência de janeiro de 2012: uma tática de limpeza desses espaços, travestida de “cuidado aos dependentes”, por meio da retirada higienista de populações indesejadas.

É evidente que o consumo do crack – em muitos casos associado à compulsividade e a sérios danos à saúde e à vida social e afetiva – tem que ser alvo de atenção do poder público. Mas políticas públicas não podem se pautar no alarmismo em torno da ideia de que há uma epidemia de crack. A incontestável disseminação dessa droga pelo país não evidencia a existência de uma epidemia, pois, não obstante suas graves consequências, a prevalência do consumo de crack é pequena se comparada a de outras substâncias psicoativas com alto potencial de dano, como o álcool, cuja escala epidêmica é consensual.

A criação de um tribunal de “campanha”, no qual juízes e promotores, auxiliados por médicos, decidirão em algumas horas quem será tratado por meio do confinamento é um atentado contra a Lei 10.216/2001, marco da luta contra o trágico modelo de confinamento manicomial. Ela estabeleceu limites para as internações contra a vontade, que só devem ser prescritas quando esgotadas todas as alternativas ou em casos de risco iminente de morte. Além disso, a Organização Mundial de Saúde pediu para que os países abandonassem a política de internações compulsórias, pois elas não só acarretam violações de direitos humanos, como são pouco eficazes para a maior parte dos casos.

Internar parece uma solução atraente porque nos remete a um contexto de proteção, mas, por estar sustentada no isolamento artificial dos indivíduos, não resolve o maior desafio para a continuidade do tratamento da dependência, que é a vida fora dos limites da clínica. Quando ocorre à força, a chance de uma internação ter bons resultados cai ainda mais.


No caso da dependência de crack, a trajetória de muitos consumidores que circulam pelo Centro é marcada por privações e dificuldades de diversas ordens. Interferir nesse difícil contexto de vida, com a adoção de políticas de reinserção no mercado de trabalho, de reforço dos vínculos comunitários, de educação formal, de acesso aos cuidados básicos de higiene e saúde, entre outras ações – é parte fundamental de uma política que, de fato, esteja preocupada em cuidar dessas pessoas, não apenas tirá-las de nossas vistas.

Ao se defender a internação, é comum se desqualificar a rede pública de atenção à saúde mental, principalmente os Centros de Atenção Psicossociais (CAPs). Se há um grave problema da rede, é sua estrutura insuficiente, por vezes precária. Portanto, os resultados que seriam colhidos pelo investimento na qualificação da atenção psicossocial são ignorados pelo lobby da internação, sedento por recursos.

Além disso, a responsabilidade de quem se propôs a tratar de um complexo transtorno mental não termina quando ele tem alta. Ela vai além. É necessário que se conheça para onde ele vai, quem vai tratá-lo, se tem condições de atender o mínimo de suas necessidades, ou seja, observar seu comportamento, não deixar que sofra discriminação não o expondo a curiosidades dos outros. Na rua, em sua casa, ou outra instituição qualquer, é preciso que haja sempre o intuito do cuidado.

Enfim, cabe dizer que as dramáticas histórias de vida não são justificativas que desresponsabilizam os dependentes de crack; ao contrário, o caminho mais frutífero é reforçar sua capacidade de decisão, oferecendo cuidados e alternativas. A opção pelo confinamento forçado não resulta em proteção, mas no enfraquecimento do fator mais relevante para o tratamento da dependência: a vontade individual.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Prevenir é melhor que remediar

As ações em prevenção de saúde são, comprovadamente, mais eficientes e eficazes na melhoria dos indicadores de saúde e na vida das pessoas. Cada vez mais tem-se destacado esses tipos de ações, sendo apontadas como exemplos e soluções para se melhorar a qualidade de vida e reduzir os agravos relacionados à saúde.

Quando se pensa em prevenção, pensa-se em conhecer melhor o indivíduo. Suas particularidades, seu bairro, sua cultura, seu ritmo e padrão de vida, seus hábitos alimentares e etc. Tudo isso influencia na maneira como o indivíduo vive e é "agredido" pelo meio que o circunda. Assim, é possível estabelecer estratégias pontuais, de ação mais direta e mais rápida, evitando que o indivíduo tenha a oportunidade de ter  sua saúde afetada por algum problema relacionado ao seu meio de vida. Doenças como diabetes e hipertensão, que acometem uma grande parcela da população podem, assim, serem evitadas e/ou controladas mais de perto.

Além disso, essas ações possuem uma melhor relação custo-benefício. Como são aplicadas tendo em vista uma coletividade, a longo prazo, evita-se que um grande contingente populacional fique doente ou não tenham suas doenças agravadas significativamente. É claro que há variações de caso para caso, mas a redução de custos é real. Tecnologias como tomografia computadorizada, ressonância magnética e outros exames complementares mais caros são reservados para quem realmente necessita, evitando os seus usos de forma desnecessária.

A adoção dessas medidas significam um passo rumo à melhorias no sistema de saúde. Com a redução dos custos pode-se investir mais na capacitação dos profissionais de saúde, no desenvolvimento de práticas integradoras com a participação de diferentes agentes promotores, como médicos,enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, professores e etc. Além disso, uma ideia auxiliar seria o estabelecimento de uma relação mais próxima com universidades e escolas, tanto para introduzir os alunos nos conceitos da prevenção quanto para a utilização do espaço físico para o desenvolvimento de atividades para toda a comunidade.

É necessário difundir tal conhecimento, ousando lançar um olhar para um futuro diferente, de uma medicina mais próxima, utilizando tecnologias leves e recursos inovadores, que respeitem a natureza e o indivíduo. Uma forma diferente, porém não menos eficiente de se ajudar o outro.


Aproveite sua visita ao nosso blog e comente seu atendimento médico. Acesse: www.impaciente.org

quarta-feira, 6 de março de 2013

Cura para o HIV?

Como você viu no blog do (im)Paciente ontem, a sociedade foi surpreendida pela notícia da cura de um bebê portador de HIV. O segundo caso de cura do HIV levanta uma pergunta ao ar: será que um dia existirá cura para a AIDS, e para o HIV?

O desejo de uma resolução para a grande epidemia do século XX é forte entre todos, e notícias como essa dão esperança aos milhões de portadores do vírus, que apesar das muitas conquistas já obtidas com os avanços na terapia antirretroviral, ainda sofrem com efeitos da doença e dos próprios medicamentos.

Ainda não se sabe se a criança americana realmente foi curada do HIV. Ela recebeu a terapia antirretroviral 30 horas depois de ter nascido, procedimento normalmente não adotado. Sua mãe descobriu ser portadora do vírus apenas no momento do parto, por não ter realizado pré-natal adequadamente. A criança foi tratada por 18 meses. Atualmente tem dois anos de idade, e mesmo sem a terapia antirretroviral, os testes para detecção de vírus no sangue continuam dando negativo. É importante ressaltar que a criança nasceu com níveis já baixos de carga viral.

O primeiro caso de cura do HIV ocorreu em um paciente extremamente atípico. Timothy Brown, curado completamente da AIDS, possuía um tipo raro de leucemia, cujo tratamento foi remoção total e transplante de medula óssea, trocando todo seu sistema imunológico e produtor do sangue, o que é extremamente arriscado. Apesar de realmente ter acontecido a cura, seu caso dificilmente poderia ser extrapolado para a situação vivida para outras pessoas. Com esta criança, é diferente. Milhões de crianças nascem pelo mundo todo filhas de mães contaminadas pelo vírus, e a notícia de que um tratamento precoce possa curar a doença é um alento e uma esperança para a solução do grande problema que atualmente é o HIV, especialmente em certos países do continente africano.

Há sempre que se ter cautela com soluções milagrosas para doenças. Notícias como a questão do Truvada, medicamento sugerido nos EUA para a prevenção da contaminação pelo HIV (condicional ao uso de camisinha) devem ser interpretadas criteriosamente. Não há pílula mágica para doença alguma, muito menos para uma doença da complexidade que é a provocada pelo HIV. Até o momento, a mágica está em fazer sexo seguro, usando preservativo masculino ou feminino, vigiar criteriosamente os bancos de sangue, e prevenir a transmissão materno-infantil do vírus. Conforme avançam as pesquisas, novas frentes de combate vão se consolidando, e chegamos mais perto do fim da epidemia.

O profissional de saúde é fundamental no esclarecimento da população quanto aos meios de prevenir a infecção por HIV. Isso faz parte de um cuidado maior da saúde, que inclui o autocuidado do corpo, em todos os seus aspectos: saúde reprodutiva, alimentação, exercícios, relacionamentos... Por isso, é importante que de vez em quando se visite um serviço de saúde para saber se está cuidando bem de si mesmo, e como melhorar.

Você já fez isso? Se sim, comente em http://impaciente.org/ como foi seu atendimento!

terça-feira, 5 de março de 2013

HIV de mãe para filho


No último domingo, 3 de março de 2013, médicos americanos anunciaram a possível cura de um bebê infectado com o vírus HIV. Ele teria contraido o vírus da própria mãe. Mas como acontece exatamente essa infecção?

A transmissão do vírus da mãe para o filho recebe o nome de transmissão vertical. São três os momentos em que ela pode acontecer: durante a gestação, no parto e através da amamentação. Em qualquer um deles, para que a infecção ocorra deve haver um contato do feto com fluidos maternos que contenham vírus, como o sangue e o leite.

Atualmente é possível prevenir a transmissão vertical. Primeiramente, faz-se necessário um diagnóstico da mãe. Para isso, o teste para HIV deve ser feito durante o pré-natal, no 1º e 3º trimestre, sempre com o consentimento da mulher. Uma vez detectado o vírus na mãe, recomenda-se que ela seja tratada. Da mesma forma, após o parto, o bebê também deve receber antirretrovirais profiláxicos.

No caso de uma mulher que não tenha feito o pré-natal e, portanto, não saiba se tem ou não HIV, é possível ser feito um teste rápido de HIV. Caso o resultado seja positivo, ela receberá a medicação durante o parto e o bebê após o mesmo. Além disso, a amamentação passa a ser desaconselhada, devido ao risco de infecção do bebê.

O HIV não é a única doença capaz de ser rastreada durante o pré-natal. Já no primeiro trimestre, devem ser testados a sorologia para hepatites, toxoplasmose e sífilis, por exemplo. Dessa forma, é possível tratar a mãe e prevenir que o bebê sofra com alguma dessas doenças.

Há contudo um último desafio. Nos casos de mulheres com doenças sexualmente transmissíveis não basta apenas tratar as mulheres, é preciso que seu(s) parceiro(s) também procurem atendimento. Caso contrário, não apenas há risco da mulher se reinfectar, mas também que nela se desenvolvam cepas de vírus resistentes aos antimicrobianos.

Portanto, é de extrema importância que as mulheres valorizem o pré-natal. Os exames darão ao medico uma noção geral da sua saúde, podendo organizar ferramentas para diminuir os risco na gestação. O objetivo é assegurar que mãe e filho mantenham uma vida saudável.



Para maiores informações acesse: http://www.aids.gov.br
Aproveite sua visita ao nosso blog e comente seu atendimento médico em www.impaciente.org

sexta-feira, 1 de março de 2013

Você conhece o Lupus Eritematoso Sistêmico?

Olá, caros leitores!
Como muitos podem perceber, a nossa equipe do Blog do (im)Paciente tem a preocupação em esclarecer sobre diversos assuntos envolvendo a saúde que circulam na internet em notícias ou sites informativos. Nosso assunto de hoje é uma doença chamada Lupus Eritematoso. Você conhece? Conhece algum paciente com essa doença? Vamos descobrir mais sobre ela? Então comecemos!

O que é o Lupus Eritematoso?

O Lupus Eritematoso é uma das doenças no rol daquelas chamadas autoimunes. Nosso corpo tem inúmeras células de defesa (anticorpos) que ajudam no combate à doenças causadas por bactérias, vírus, fungos, etc. Elas ajudam também no combate a células do próprio corpo que tenham algum defeito e que possam vir a causar doença (como células que podem causar câncer). Algumas vezes, essas células do sistema imunológico começam a atacar células sadias do próprio corpo. Você já reparou como um machucado fica vermelho, quente e inchado quando ta infectado? Ou quando a garganta fica vermelha, doendo e temos febre? Dizemos que estão ocorrendo sinais de inflamação (rubor, calor e edema) e essa é uma resposta natural das células de defesa e servem para tentar ajudar a combater a infecção.

Agora, imagina quando essas células de defesa atacam as células do próprio corpo! Elas causam um quadro parecido!
No caso do Lupus, os anticorpos podem atacar células de todo o corpo, como células da pele, articulações,  membranas (como pleura, que fica em torno do pulmão), rins e até mesmo sangue (causando um tipo de anemia).

Nessa hora, o leitor pode virar e falar: "Ok. Já entendi o que é o Lupus Eritematoso, caro blogueiro. Mas como essa doença se mostra? O que eu sinto? E como descubro que tenho essa doença?"

Ora, vamos seguir adiante então!
Em cerca de 80% dos casos podemos ver sintomas na pele, como áreas avermelhadas, especialmente na região malar (maçã do rosto) e nariz, fazendo uma aparência que se assemelha a uma asa de borboleta! Outras áreas também podem apresentar vermelhidão, como colo, braços e mãos, geralmente relacionada com a exposição solar.

Um outro sintoma pode ser dor nas articulações de mãos, punhos e joelhos, dos dois lados (simétrica) e durando alguns dias (migratória), geralmente, 1 a 3 dias. Além disso, pode aparecer dor muscular.
Um caso especial e potencialmente grave é a nefrite lúpica. Ela é a apresentação do Lupus Eritematoso Sistêmico nos rins e pode se apresentar com proteína aumentada na urina e acometimento renal por causa da deposição de imunocomplexos no glomérulo renal (não se desespere, caro leitor, são apenas alguns termos que querem dizer que o rim foi atacado!).

O Lupus Eritematoso Sistêmico ainda pode se apresentar com uma forma psiquiátrica, neurológica e hematológica (no sangue).Vamos relatar rapidamente como elas se manifestam em cada uma e depois prosseguiremos.

Nas alterações neuro-psiquiatricas, podemos encontrar: convulsões, alterações de humor ou comportamento (psicoses), depressão e alterações dos nervos periféricos e da medula espinhal.
Nas alterações no sangue, podemos encontrar um paciente com anemia, plaquetas baixas e leucócitos (glóbulos "brancos") baixos.
Não poderiamos contemplar todos os sintomas, dado que seria um texto ainda maior e cada vez mais chato e complexo.
O diagnóstico de Lupus Eritematoso Sistêmico até o ano de 2012 levava em consideração 11 critérios atualmente. Diante da suspeita, o médico precisa de 4 critérios positivos. Em 2012, uma reunião dos especialistas sinalizou para a mudança para 17 critérios, mantendo que sejam necessários pelo menos 4 deles, porém, pelo menos um deles precisa ser um critério clínico e um outro precisa ser um critério imunológico, ou ainda, biópsia de rim positiva para nefrite lúpica.

Nesse momento, o leitor olha para o texto, pensa um pouco e vira pro blogueiro perguntando: "Muito bom! Já entendi o que é Lupus Eritematoso Sistemico, já sei as principais forma de aparecimento e já sei o que o médico precisa pra chegar ao diagnóstico, mas, e quanto ao tratamento e expectativas em relação a doença?"

O tratamento da pessoa com Lupus Eritematoso Sistêmico depende de qual foi a manifestação apresentada e deve ser individualizado. Logo, o paciente com a doença pode precisar de nenhum, um, dois ou mais medicamentos dependendo da fase da doença (ativa, não ativa ou em remissão). O tratamento sempre inclui remédios para regular as alterações imunológicas do Lupus Eritematoso Sistêmico e remédios para as alterações que a pessoa apresente ou possa vir a apresentar como consequência da inflamação causada pelo Lupus Eritematoso Sistêmico, como a febre, dor, inchaço das pernas, hipertensão, etc.

Existem remédios que agem no sistema imunológico modulando seu funcionamento na doença. Eles podem ser os corticóides, os antimaláricos e os imunossupressores, em especial a azatioprina, ciclofosfamida e micofenolato de mofetil. Além disso, é muito importante o uso dos protetores solares que devem ser aplicados em todas as áreas expostas diariamente. Ao longo do dia, devem ser feitas diversas reaplicações dos protetores para assegurar o seu efeito. Em casos com sintomas mais leves, podemos usar os analgésicos, anti-inflamatórios e/ou corticoides em doses baixas. Em casos mais graves do LES, as doses dos corticóides podem ser bem mais elevadas.

Como dissemos, quando a doença se manifesta nos rins, no sistema nervoso, pulmões ou vasos sanguíneos é necessário o uso de imunossupressores em doses de acordo com a variedade e gravidade do acometimento.

Outro cuidado importante nesses pacientes em tratamento com drogas que modificam o funcionamento do sistema imunológico é com as infecções, especialmente  a tuberculose, shigellose, outras doenças bacterias e fúngicas que se aproveitam da debilidade do sistema imune. Em pacientes que evoluem de forma grave e com rápida evolução, podemos glicocorticóide em altas doses (pulsoterapia).
A cloroquina (ou hidroxicloroquina) está indicada para as formas mais leves da mesma forma que nas mais graves e deve ser mantida mesmo que a doença esteja sob controle (remissão), pois, auxiliam na manutenção do controle do Lupus Eritematoso Sistêmico.

Espero que tenham gostado do nosso texto.
Mande suas dúvidas e temas para a nossa equipe. Ficaremos felizes com o contato!

Para a confecção desse artigo, foram utilizadas as seguintes fontes:
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22553077?dopt=Abstract
http://www.spreumatologia.pt/diseases/disease/lupus-eritematoso-sistemico/quais-sao-os-sintomas-mais-comuns
http://www.reumatologia.com.br/PDFs/LES_Cartilha_PDF_COMPLETO_2011.pdf


Informações coletadas do site UpToDate (http://www.uptodate.com/home)