sexta-feira, 1 de março de 2013

Você conhece o Lupus Eritematoso Sistêmico?

Olá, caros leitores!
Como muitos podem perceber, a nossa equipe do Blog do (im)Paciente tem a preocupação em esclarecer sobre diversos assuntos envolvendo a saúde que circulam na internet em notícias ou sites informativos. Nosso assunto de hoje é uma doença chamada Lupus Eritematoso. Você conhece? Conhece algum paciente com essa doença? Vamos descobrir mais sobre ela? Então comecemos!

O que é o Lupus Eritematoso?

O Lupus Eritematoso é uma das doenças no rol daquelas chamadas autoimunes. Nosso corpo tem inúmeras células de defesa (anticorpos) que ajudam no combate à doenças causadas por bactérias, vírus, fungos, etc. Elas ajudam também no combate a células do próprio corpo que tenham algum defeito e que possam vir a causar doença (como células que podem causar câncer). Algumas vezes, essas células do sistema imunológico começam a atacar células sadias do próprio corpo. Você já reparou como um machucado fica vermelho, quente e inchado quando ta infectado? Ou quando a garganta fica vermelha, doendo e temos febre? Dizemos que estão ocorrendo sinais de inflamação (rubor, calor e edema) e essa é uma resposta natural das células de defesa e servem para tentar ajudar a combater a infecção.

Agora, imagina quando essas células de defesa atacam as células do próprio corpo! Elas causam um quadro parecido!
No caso do Lupus, os anticorpos podem atacar células de todo o corpo, como células da pele, articulações,  membranas (como pleura, que fica em torno do pulmão), rins e até mesmo sangue (causando um tipo de anemia).

Nessa hora, o leitor pode virar e falar: "Ok. Já entendi o que é o Lupus Eritematoso, caro blogueiro. Mas como essa doença se mostra? O que eu sinto? E como descubro que tenho essa doença?"

Ora, vamos seguir adiante então!
Em cerca de 80% dos casos podemos ver sintomas na pele, como áreas avermelhadas, especialmente na região malar (maçã do rosto) e nariz, fazendo uma aparência que se assemelha a uma asa de borboleta! Outras áreas também podem apresentar vermelhidão, como colo, braços e mãos, geralmente relacionada com a exposição solar.

Um outro sintoma pode ser dor nas articulações de mãos, punhos e joelhos, dos dois lados (simétrica) e durando alguns dias (migratória), geralmente, 1 a 3 dias. Além disso, pode aparecer dor muscular.
Um caso especial e potencialmente grave é a nefrite lúpica. Ela é a apresentação do Lupus Eritematoso Sistêmico nos rins e pode se apresentar com proteína aumentada na urina e acometimento renal por causa da deposição de imunocomplexos no glomérulo renal (não se desespere, caro leitor, são apenas alguns termos que querem dizer que o rim foi atacado!).

O Lupus Eritematoso Sistêmico ainda pode se apresentar com uma forma psiquiátrica, neurológica e hematológica (no sangue).Vamos relatar rapidamente como elas se manifestam em cada uma e depois prosseguiremos.

Nas alterações neuro-psiquiatricas, podemos encontrar: convulsões, alterações de humor ou comportamento (psicoses), depressão e alterações dos nervos periféricos e da medula espinhal.
Nas alterações no sangue, podemos encontrar um paciente com anemia, plaquetas baixas e leucócitos (glóbulos "brancos") baixos.
Não poderiamos contemplar todos os sintomas, dado que seria um texto ainda maior e cada vez mais chato e complexo.
O diagnóstico de Lupus Eritematoso Sistêmico até o ano de 2012 levava em consideração 11 critérios atualmente. Diante da suspeita, o médico precisa de 4 critérios positivos. Em 2012, uma reunião dos especialistas sinalizou para a mudança para 17 critérios, mantendo que sejam necessários pelo menos 4 deles, porém, pelo menos um deles precisa ser um critério clínico e um outro precisa ser um critério imunológico, ou ainda, biópsia de rim positiva para nefrite lúpica.

Nesse momento, o leitor olha para o texto, pensa um pouco e vira pro blogueiro perguntando: "Muito bom! Já entendi o que é Lupus Eritematoso Sistemico, já sei as principais forma de aparecimento e já sei o que o médico precisa pra chegar ao diagnóstico, mas, e quanto ao tratamento e expectativas em relação a doença?"

O tratamento da pessoa com Lupus Eritematoso Sistêmico depende de qual foi a manifestação apresentada e deve ser individualizado. Logo, o paciente com a doença pode precisar de nenhum, um, dois ou mais medicamentos dependendo da fase da doença (ativa, não ativa ou em remissão). O tratamento sempre inclui remédios para regular as alterações imunológicas do Lupus Eritematoso Sistêmico e remédios para as alterações que a pessoa apresente ou possa vir a apresentar como consequência da inflamação causada pelo Lupus Eritematoso Sistêmico, como a febre, dor, inchaço das pernas, hipertensão, etc.

Existem remédios que agem no sistema imunológico modulando seu funcionamento na doença. Eles podem ser os corticóides, os antimaláricos e os imunossupressores, em especial a azatioprina, ciclofosfamida e micofenolato de mofetil. Além disso, é muito importante o uso dos protetores solares que devem ser aplicados em todas as áreas expostas diariamente. Ao longo do dia, devem ser feitas diversas reaplicações dos protetores para assegurar o seu efeito. Em casos com sintomas mais leves, podemos usar os analgésicos, anti-inflamatórios e/ou corticoides em doses baixas. Em casos mais graves do LES, as doses dos corticóides podem ser bem mais elevadas.

Como dissemos, quando a doença se manifesta nos rins, no sistema nervoso, pulmões ou vasos sanguíneos é necessário o uso de imunossupressores em doses de acordo com a variedade e gravidade do acometimento.

Outro cuidado importante nesses pacientes em tratamento com drogas que modificam o funcionamento do sistema imunológico é com as infecções, especialmente  a tuberculose, shigellose, outras doenças bacterias e fúngicas que se aproveitam da debilidade do sistema imune. Em pacientes que evoluem de forma grave e com rápida evolução, podemos glicocorticóide em altas doses (pulsoterapia).
A cloroquina (ou hidroxicloroquina) está indicada para as formas mais leves da mesma forma que nas mais graves e deve ser mantida mesmo que a doença esteja sob controle (remissão), pois, auxiliam na manutenção do controle do Lupus Eritematoso Sistêmico.

Espero que tenham gostado do nosso texto.
Mande suas dúvidas e temas para a nossa equipe. Ficaremos felizes com o contato!

Para a confecção desse artigo, foram utilizadas as seguintes fontes:
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22553077?dopt=Abstract
http://www.spreumatologia.pt/diseases/disease/lupus-eritematoso-sistemico/quais-sao-os-sintomas-mais-comuns
http://www.reumatologia.com.br/PDFs/LES_Cartilha_PDF_COMPLETO_2011.pdf


Informações coletadas do site UpToDate (http://www.uptodate.com/home)

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Atenção Básica: exemplo e caminho

Em 2008, após a divulgação de um relatório, a OMS colocou o Brasil em uma posição de destaque no cenário da saúde mundial. Nele, a entidade aponta as iniciativas brasileiras em atenção básica como um exemplo que, apesar das dificuldades enfrentadas, tem muito a acrescentar no que se refere a novas estratégias de atender à população.

O documento, intitulado Atenção Primária à Saúde, agora mais do que nunca, recomenda que os países adotem cuidados primários de saúde em suas políticas numa tentativa de combater a desigualdade e ineficiências dos problemas de saúde.Nesse sentido, a OMS destaca iniciativas como o Programa Saúde da Família e os observatórios de Recursos Humanos em Saúde como modelos a serem seguidos, já que demonstraram bons resultados para aprimorar o sistema público de saúde no Brasil.

Há, ainda, muita desigualdade no acesso e na oferta de serviços de saúde, sem falar nos custos que podem ser gerados. Esses problemas comprometem a estruturação de um bom sistema de saúde. A insistência em um modelo de especialistas que mais se importam com a doença do que com o paciente por um todo e suas relações com o meio em que vive dificulta a obtenção de melhores em saúde. Melhorar o acesso e a participação popular, principalmente, é o caminho a ser seguido para um melhor desempenho do sistema de saúde.

Nesse caminho, para implementar as reformas, a OMS faz quatro recomendações e destaca o sucesso das iniciativas adotadas no Brasil com relação à atenção primária. Destaca-se, primeiramente, que os países adotem o acesso universal à saúde e cita o Brasil como exemplo. Além disso, a comunidade deve ser o ponto de partida para a análise dos condicionantes de saúde.

Novamente, o documento cita o sucesso do programa brasileiro Saúde da Família, adotado em 1994 como um dos programas propostos pelo governo federal aos municípios para implementar a atenção básica. 

O documento ressalta ainda a necessidade de descentralizar as políticas de saúde e incorporar outros setores, como o de educação, por exemplo, como parte do sistema do país para garantir uma melhor cobertura das políticas de prevenção.Finalmente, a OMS recomenda que o sistema de saúde seja implementado com liderança e que envolva todos os setores da sociedade - o setor privado, as comunidades, a sociedade civil e o empresariado.Nesse sentido, o relatório destaca o trabalho dos observatórios em Recursos Humanos em Saúde no Brasil, que desenvolve pesquisas e sistematiza as informações sobre saúde para oferecer subsídios na formulação de políticas de saúde em todos os níveis.

Integrar e inovar, convidando todos a participarem devem ser os pontos norteadores para uma nova estratégia em saúde. Mais forte, mais próxima, com foco preventivo, reduzindo custos e gerando participação coletiva efetiva.

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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Saúde do trabalhador: lesões por esforços repetitivos


No Brasil, as lesões por esforços repetitivos e distúrbios ósteo-musculares relacionados ao trabalho (LER/Dort) são uma epidemia. LER designa os distúrbios musculoesqueléticos ocupacionais de origem multifatorial complexa. Ocupam o primeiro lugar nas estatísticas de doenças profissionais nos países industrializados. Resulta de um desequilíbrio entre as exigências das tarefas realizadas no trabalho e as capacidades funcionais individuais para responder a essas exigências. Os desequilíbrios  são modulados pelas características da organização do trabalho, a qual constitui alvo das medidas de transformação das condições geradoras do adoecimento.

Os sinais e sintomas podem estar presentes em outros eventos clínicos e sem relação com o trabalho. Os sinais clínicos não são específicos. Em geral, a dor é associada de maneira mais ou menos pronunciada a um desconforto no curso da atividade profissional, com piora ao final da jornada e nos picos de produção e melhora nos períodos de repouso ou férias.

Os principais fatores de risco físicos e biomecânicos são conhecidos: força e esforços físicos realizados, repetitividade dos gestos e dos movimentos, posições extremas e vibrações originadas de máquinas É obrigatório notificar os casos como acidente de trabalho ao Ministério da Saúde. Recomenda-se intervir logo no início contra o avanço da lesão.

Primeiro, deve-se analisar as situações de trabalho e identificar os fatores de risco. Com os dados de saúde do trabalhador, faz-se um estudo ergonômico multidisciplinar, com a participação dos chefes de produção, membros da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), gestores de recursos humanos, responsáveis pela manutenção, médicos do trabalho, engenheiros e outros. Aspectos biomecânicos, cognitivos, sensoriais, afetivos e de organização do trabalho devem ser analisados de forma integrada.

Eles devem analisar o posto de trabalho (assento, mesa, luminosidade), as ferramentas (a qualidade da tela do computador, o comprimento do fio do mouse) e fatores agressores como exposição a vibrações, temperatura, ruídos, pressão mecânica localizada, tensão, cargas etc.

Há que checar também os processos de trabalho. Tanto atividades monótonas quanto as de muita exigência cognitiva, que causem tensão muscular e estresse, podem ser prejudiciais. E deve-se levar em conta ainda a percepção subjetiva do trabalhador. Ele está preocupado demais com seu futuro na empresa ou na carreira? O trabalho atual atende a suas expectativas? 

Eliminar as lesões não é, portanto, apenas modificar o mobiliário, mas também fazer ginástica laboral e fisioterapia. A fisioterapia alivia a dor, relaxa a musculatura tensionada e orienta a postura em atividades ocupacionais e de lazer. 

Para a fisioterapeuta Raquel Casarotto, professora do Departamento de Fisoterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional da Universidade de São Paulo (USP), é fundamental agir também nas causas, com base nos limites físicos e psicossociais do trabalhador. 

Segundo o ortopedista Osvandré Lech, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, o tratamento deve sempre focar a principal queixa e/ou sintoma. Ele inclui reestruturar o ritmo de trabalho, melhorias ergonômicas, suporte emocional, condicionamento físico adequado e permanente. A constituição de uma equipe multiprofissional é crucial para abordar os casos. Ademais, espera-se dos serviços uma agenda de formação e estudo que perpassa diferentes conteúdos e disciplinas.


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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

O médico ideal

A maioria das vezes em que nos deparamos com a necessidade de ter uma consulta médica e precisamos decidir qual médico escolher, recorremos a uma das três opções: abrimos o livro do plano de saúde e escolhemos o médico mais perto de casa; perguntamos a um conhecido se ele tem alguma boa referência; ou então, vamos à internet. Essa é uma situação frequente, principalmente entre os usuários de planos de saúde. Mas você realmente já parou para pensar em que médico você realmente gostaria que o atendesse?

Muitas pesquisas já foram feitas sobre esse assunto. Perguntando às pessoas, muitas respostas surgem, mas na maioria das vezes elas giram em torno de um médico que compreenda o sofrimento do paciente, que o acolha em seu consultório, seja educado, transmita sensação de segurança, seja respeitoso, saiba comunicar bem as informações. Percebe-se logo que quase nunca as pessoas referem à capacidade técnica do médico, quando pensam em seu médico ideal. Isso não quer dizer que alguém queira um médico que não saiba de medicina, não! As pessoas simplesmente já presumem que o médico tenha que ser um bom técnico, e simplesmente pulam essa descrição na hora de dizer o que esperam dele.

É comum ouvir aquela expressão "Dr. Fulano é um cavalo, mas é muito bom médico". Esse Dr. Fulano, ou melhor, Dr. Cavalo, também é figura no imaginário das pessoas, e aparece inclusive em seriados de televisão, às vezes como herói. Ele não é a primeira opção para a maioria, mas na falta de algo melhor, ele é o porto-seguro onde a pessoa se ancora. Não é uma relação saudável, no entanto. Um médico que não sabe comunicar de forma que o paciente aceite e entenda a informação, que atrase a consulta, que seja ríspido e até grosseiro, não é o desejo de ninguém. O Dr. Cavalo figura entre os principais alvos de processos contra médicos no Brasil e no mundo. A principal motivação de processos contra médicos não está relacionada a erros médicos, mas sim a falhas na relação médico-paciente.

O ideal é que todo médico agisse como foi descrito no segundo parágrafo. Quando a relação médico-paciente não é bem estabelecida, é comum o paciente buscar outro médico. Essa peregrinação de médico a médico em busca do doutor ideal pode levar muito tempo, e dependendo do problema que a pessoa tem, o tempo pode ser precioso, e desperdiçá-lo pode custar um preço muito alto. É por isso que muitas iniciativas para facilitar a escolha do médico existem, e uma delas é justamente o http://impaciente.org/. Nele você pode ver a opinião de pessoas que receberam atendimento médico, ajudando bastante na sua decisão. Acesse!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Doença de Alzheimer: um mal real

 
O avanço das condições crônicas de saúde é uma realidade no Brasil atual. O aumento da expectativa de vida, melhorias no acesso aos serviços e medicamentos são apenas alguns dos fatores que favorecem a convivência dos indivíduos com doenças crônicas.

Dentro deste grande espectro de doenças, as que lesam a capacidade mental das pessoas ainda causam bastante medo na população. Por muitas vezes, a falta de conhecimento e as inúmeras dúvidas impedem uma melhor convivência com essas doenças.

A Doença de Alzheimer avança no país. Causa preocupação e, muitas vezes, situações desconfortáveis para os familiares daqueles que possuem tal doença. Maiores informações são necessárias para esclarecimento e diminuição do preconceito. Alzheimer é uma doença degenerativa do cérebro. Áreas específicas, como as responsáveis pela memória, linguagem, cálculo, comportamento e demais funções cerebrais começam a parar o seu funcionamento e posteriormente a morrer. É um processo diferente do envelhecimento cerebral, pois ocorrem ações biológicas irregulares (com deposição de proteínas anormais).

Dados oficiais apontam que, no Brasil, estima-se que cerca de um milhão de pessoas sofram de Alzheimer. A doença acomete principalmente pessoas entre 60 e 90 anos, podendo aparecer antes e também depois desta faixa de idade, porém com menor frequência.

É uma doença lenta e progressiva, que compromete as funções cerebrais e piora o funcionamento do cérebro do indivíduo. Desde o início dos sintomas, como o esquecimento, até um comprometimento mais grave, com limitação de marcha e da capacidade de engolir, podem se passar de dez a 15 anos. A doença em si não leva à morte, mas sim a complicações decorrentes do comprometimento de diversas funções.

Muitos ainda não sabem, mas os primeiros sinais são a perda de memória e o comportamento alterado do indivíduo. Não é qualquer perda de memória que devemos ficar alertas, mas àquela que se repete e começa a comprometer o dia a dia da pessoa, interferindo no funcionamento das atividades pessoais. Estas perdas são cada vez mais progressivas e comprometem até memórias autobiográficas do paciente (como nome dos filhos e netos). As alterações comportamentais podem ocorrer desde o início e são muito frequentes no decorrer da doença. Indivíduos com Alzheimer podem ter características depressivas, de agitação e de agressividade, ou até mesmo delírios e alucinações.

Existem medicações atualmente que estabilizam a doença ou diminuem a velocidade de perda funcional em cerca de cinco anos ou mais, podendo oferecer mais tempo com qualidade de vida ao paciente e aos familiares. Apesar do Alzheimer não ter cura, estas medicações, desde que bem otimizadas, podem oferecer conforto e alívio. A alimentação bem balanceada, associada à prevenção de fatores de riscos vasculares (hipertensão, diabetes, obesidade) e à realização de atividade física adequada (aeróbica, no mínimo, três vezes por semana), é a melhor forma de se tentar prevenir a doença. Ainda não existem remédios milagrosos ou procedimentos definitivos, porém a medicina tem evoluído rapidamente na busca dos melhores recursos para tratar e prevenir o Alzheimer.


A busca por novas informações ainda é o melhor remédio para se lidar com essa e qualquer outra doença crônica. Assim, encarar e vencer essa situação torna-se menos penoso.



Mais informações: http://www.einstein.br/einstein-saude/doencas/Paginas/tudo-sobre-alzheimer.aspx



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sábado, 16 de fevereiro de 2013

A polêmica da internação compulsória de usuários de crack



Estima-se que cerca de 1,2 milhão de brasileiros usem crack. Em geral, o uso se inicia por volta dos 13 anos de idade entre jovens pobres das periferias, em sua maioria negros e com baixa escolaridade. Os dados são do último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE 2010). A população de rua é a mais afetada, e aqueles que não moram na rua são levados a esta situação com frequência. Os dependentes de crack ficam, assim, vulneráveis a todo tipo de violência e situação de risco. O crack não traz apenas consequências no campo das doenças, mas coloca os dependentes em situação psicossocial degradante.

Drogas como o crack agem de maneira tão agressiva no corpo do usuário que não permitem que ele entenda a gravidade de sua situação e o quanto seu comportamento pode ser nocivo para ele mesmo e para os outros. Foi com base nessa ideia que o deputado federal Eduardo Da Fonte (PP-PE) apresentou em março deste ano uma proposta de política pública que prevê a internação compulsória temporária de dependentes químicos segundo indicação médica após o paciente passar por avaliação com profissionais da saúde.

A internação contra a vontade do paciente está prevista no Código Civil desde 2001, pela Lei da Reforma Psiquiátrica 10.216, mas a novidade agora é que o procedimento seja adotado não caso a caso, mas como uma política de saúde pública – o que vem causando polêmica. Aqueles que se colocam a favor do projeto argumentam que um em cada dois dependentes químicos apresenta algum transtorno mental, sendo o mais comum a depressão. A base são estudos americanos como o do Instituto Nacional de Saúde Mental (NIMH, na sigla em inglês), de 2005. Mas vários médicos, psicólogos e instituições como os Conselhos Regionais de Psicologia (CRPs), contrários à solução, contestam esses dados.
O tema foi debatido pelo Conselho Nacional de Saúde e como instância máxima de controle social do Sistema Único de Saúde, SUS, se manifesta contrário à medida. Para o CNS, “Longe de expressar a criação de um novo serviço, a ação realizada em São Paulo cria, na prática, um tribunal de exceção que distorce e contraria a lógica dos serviços de saúde, acarretando sérios prejuízos no processo de implantação da rede de serviços territoriais qualificada para atenção aos usuários de álcool e outras drogas”. 


"A você que considera essa solução higienista e antidemocrática, comparável àquela dos manicômios medievais, pergunto: se sua filha estivesse maltrapilha e sem banho numa sarjeta da Cracolândia, você a deixaria lá em nome do respeito à cidadania, até que ela decidisse pedir ajuda?" questiona o médico Dr. Dráuzio Varella, defensor da internação compulsória.

Em outubro de 2012, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou que o governo federal irá prestar apoio financeiro à prefeitura do Rio de Janeiro para a ampliação da rede de atendimento a usuários de crack. O ministro, no entanto, não adiantou valores. Na ocasião, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, pediu apoio para a criação de uma rede que vai possibilitar a internação compulsória de adultos viciados em drogas. 

O munícipio do Rio já realiza a internação compulsória de menores de idade. A internação compulsória de adultos viciados em crack no Rio de Janeiro deve começar em abril de 2013, segundo notícia publicada no jornal "O Dia", no dia 23 de janeiro deste ano. A ideia da prefeitura, de acordo com o jornal, é encaminhar os usuários para os hospitais municipais e depois para centros específicos. O projeto é uma parceria da Secretaria municipal de Desenvolvimento Social com Secretaria de Saúde e tem a coordenação da Prefeitura do Rio.

E você, caro leitor, o que pensa sobre a internação compulsória?

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Determinantes Sociais de Saúde e a fragilidade da vida

As diversas definições de determinantes sociais de saúde (DSS) expressam, com maior ou menor nível de detalhe, o conceito atualmente bastante generalizado de que as condições de vida e trabalho dos indivíduos e de grupos da população estão relacionadas com sua situação de saúde. Para a Comissão Nacional sobre os Determinantes Sociais da Saúde (CNDSS), os DSS são os fatores sociais, econômicos, culturais, étnicos/raciais, psicológicos e comportamentais que influenciam a ocorrência de problemas de saúde e seus fatores de risco na população.

Virchow, um dos mais destacados cientistas vinculados a essa teoria, entendia que a “ciência médica é intrínseca e essencialmente uma ciência social”, que as condições econômicas e sociais exercem um efeito importante sobre a saúde e a doença e que tais relações devem ser submetidas à pesquisa científica. Entendia também que o próprio termo “saúde pública” expressa seu caráter político e que sua prática implica necessariamente a intervenção na vida política e social para identificar e eliminar os fatores que prejudicam a saúde da população.

A fragilidade corporal e individual da vida humana, a doença e a morte constituem o próprio objeto da medicina. Ao final do último século, a epidemiologia social é resgatada do limbo, enfocando mais uma vez a fragilidade da vida como a um tempo corporal e social, buscando maior aproximação com as ciências sociais. Estas têm uma contribuição fundamental para o campo da saúde pública, analisando sistemas de cuidados médicos e o acesso aos mesmos, o impacto social da fragilidade corporal ou ainda o sentido atribuído pelos indivíduos à experiência da doença.

Para Madel Terezinha Luz, doutora em ciências políticas, o desafio da fragilidade da vida está nas preocupações das ciências humanas não apenas por conta da violência, do terrorismo, das epidemias, do surgimento de novas doenças, mas também pela perda de valores e sentidos na sociedade atual — criando no futuro, quem sabe, até um novo indicador de saúde. “O que chama atenção atualmente das ciências humanas é a fragilidade da vida humana, principalmente no espaço urbano”, diz.

O espaço rural também é atingido, mas minimamente, acredita ela, porque mal se pode dizer que exista uma sociedade rural — há apenas resquícios. No grande processo de urbanização, os valores ligados à solidariedade, a grupos solidários, à família desaparecem completamente. Nessa sociedade urbana, os valores são a competição, a busca de sucesso, o individualismo, o consumismo, de onde brotam a hostilidade, a violência. “E isso põe em questão a vida”, afirma. “Produz isolamento, ansiedade, estresse e gera doenças novas, ditas contemporâneas, como pânico, bulimia, anorexia, a loucura pela forma física — afastar-se dessas normas é colocar-se na anormalidade”.



De acordo com Madel, essa fragilidade se relaciona ao sofrimento psíquico e ao desamparo das pessoas, o que se verifica mais fortemente em alguns grupos. O avanço da discussão sobre esse tema vem com um conjunto de expectativas que tem ver não apenas com a busca pela valorização da vida, de valorização de sentidos, valores e significados para a vida, mas também da busca de um pensar solidário interdisciplinar, que saia do isolamento da produção científica dura, daquela acumulação de verdades experimentais que esquecem a atenção ao sofrimento, à perda de referências do ser humano — o que contribui para o que chamamos de fragilidade da vida.